A Operação Fronteira RFB, deflagrada em 20 de outubro, resultou em um prejuízo estimado de R$ 70 milhões para organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira do Mato Grosso do Sul, segundo balanço divulgado em coletiva realizada em 30 de outubro. A ação reuniu a Receita Federal e forças de segurança em uma série de operações de fiscalização, apreensão e mapeamento de rotas de contrabando.
Operação Fronteira RFB: resultados e apreensões
Durante a operação, as equipes concentraram apreensões principalmente em cigarros eletrônicos e convencionais, além de aparelhos eletrônicos. Os cigarros serão destinados à destruição, enquanto parte dos eletrônicos será repassada a instituições de caridade e outra parte será utilizada para equipar equipes da Receita Federal e dos órgãos de segurança. O relatório apresentado apontou que, apesar de o valor deste ano ser ligeiramente inferior ao montante de cerca de R$ 78 milhões apreendidos em 2024, a iniciativa reforça o trabalho contínuo de vigilância e repressão nas rotas de contrabando e descaminho.
Principais itens apreendidos
- Cigarros eletrônicos e convencionais — destruição programada;
- Aparelhos eletrônicos — redistribuição para caridade e uso operacional;
- Outros itens relacionados a rotas de contrabando (inspeções e bloqueios em pontos terrestres, marítimos e aéreos).
Mapeamento de organizações criminosas
Um dos objetivos centrais da Operação Fronteira RFB vai além das apreensões imediatas: o mapeamento das organizações criminosas que operam na região. Segundo Greison Ferreira de Souza, auditor fiscal da Receita Federal, a ação pretende coletar informações de inteligência para, no futuro, identificar e atacar o patrimônio financeiro dessas organizações. Esse enfoque estratégico busca desarticular cadeias logísticas e fontes de receita que sustentam o crime transfronteiriço.
Integração de inteligências
O comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, Prisco, destacou a importância da cooperação entre as agências: a integração das inteligências e a troca de informações são fundamentais para operar com objetivos bem definidos e reforçar a presença estatal na faixa de fronteira. A atuação conjunta permite ações mais precisas e faseadas — desde a interceptação de cargas até medidas administrativas e judiciais voltadas ao desmonte de estruturas criminosas.
Estratégia e alinhamento institucional
Coordenada pela Receita Federal e realizada anualmente desde 2021, a Operação Fronteira RFB é considerada a maior iniciativa de vigilância e repressão em pontos de fronteira terrestre, marítima e aérea. A ação está alinhada ao Programa de Proteção Integrada de Fronteiras, que reúne 18 órgãos federativos e prevê medidas conjuntas entre União, estados e municípios. Esse modelo integrado amplia o alcance das fiscalizações e facilita o compartilhamento de recursos, informações e logística entre as instituições envolvidas.
Impacto regional e passos seguintes
Além do efeito imediato sobre o volume de mercadorias desviadas e sobre a receita das organizações criminosas, a operação busca criar condições para futuras investigações financeiras que atinjam bens e estruturas econômicas usadas para lavar dinheiro ou sustentar atividades ilícitas. As autoridades informaram que o trabalho de inteligência será aprofundado, com foco em rastreamento de fluxos financeiros, identificação de redes logísticas e cooperação transfronteiriça quando necessário.
Na avaliação das equipes, a combinação de ações repressivas e de mapeamento contínuo tende a reduzir a atratividade de rotas de contrabando e a pressionar economicamente as organizações que exploram a fragilidade da faixa de fronteira. A continuidade anual da operação desde 2021 reforça a capacidade institucional de resposta e a adaptação das estratégias de combate ao crime em áreas sensíveis.
Transparência e destinação dos bens apreendidos
A destinação dos bens apreendidos foi explicitada pelas autoridades: materiais que representem risco sanitário ou que sejam proibidos terão destinação para destruição; eletrônicos em bom estado serão redirecionados a instituições sociais ou incorporados ao patrimônio operacional dos órgãos que atuam na repressão. Essas medidas visam reduzir o desperdício e otimizar recursos públicos, além de garantir que itens apreendidos não retornem ao mercado ilícito.
Em síntese, a Operação Fronteira RFB consolida uma abordagem integrada de repressão e inteligência, com resultados imediatos em apreensões e com perspectiva de impacto de longo prazo ao buscar atacar a estrutura financeira do crime organizado. As autoridades reforçaram que a operação continuará a ser aplicada anualmente, com aprimoramentos baseados nas informações coletadas e na articulação entre os 18 órgãos participantes.


