Dourados, 21 de Abril de 2026

“Nada demais aconteceu naquela escola”, diz deputada em debate sobre recepção de alunos na Capital
"Nada demais aconteceu naquela escola", diz deputada em debate sobre recepção de alunos na Capital
"Nada demais aconteceu naquela escola", diz deputada em debate sobre recepção de alunos na Capital

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O clima na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul foi de embate nesta quarta-feira (12), depois que a recepção lúdica organizada por uma professora trans em uma escola municipal de Campo Grande virou pauta no plenário. O deputado João Henrique (PL) trouxe o assunto à tona no dia anterior, questionando a vestimenta da profissional durante a acolhida dos alunos. A fala repercutiu entre os parlamentares, gerando discussões sobre identidade de gênero, educação e liberdade de expressão.

Pedro Kemp (PT) subiu à tribuna para criticar a abordagem do colega. Ele lembrou casos anteriores em que professores foram expostos publicamente e alertou para as consequências desse tipo de debate. “Ano passado aconteceu aqui também, nesta Casa de Leis, denúncia contra professoras, e a pessoa ficou abalada, com depressão, por conta da sua imagem imposta, sem haver o conhecimento do todo o ocorrido”, afirmou o deputado.

O parlamentar também saiu em defesa da professora envolvida no episódio. “A professora Emy Santos é transexual e deve ser respeitada na identidade de gênero que é, diferente do sexo biológico. Respeitada como professora e artista. Ela fez uma performance com outros professores na Escola Irmã Irma Zorzi”, explicou Kemp. Ele classificou a recepção como uma ação pedagógica e criticou a forma como o caso foi abordado no plenário. “Foi utilizado na fala de ontem um discurso que atacou publicamente a professora e artista, profissional de educação e servidora pública. Foi uma recepção dos alunos com ludicidade e festa, uma ação pedagógica responsável e acolhedora, pensada pelas professoras, que foi aqui distorcida.”

João Henrique, por sua vez, negou que tenha feito ataques à professora e reforçou que seu questionamento era jurídico. “Meu grande questionamento foi o traje ao receber as crianças, um questionamento puramente jurídico, se houve aprovação, se foi autorizado pelos pais, pelos diretores, se a utilização da imagem foi assinada pelos pais”, disse o deputado. Ele também rebateu as acusações de preconceito. “Eu não expus em momento nenhum, na rede social da professora, quem expôs foi ela, e a imagem disponibilizada na rede de computadores torna-se, por lei, de domínio público.”

Zé Teixeira (PSDB), vice-presidente da Casa, minimizou a polêmica e afirmou que a preocupação principal era o impacto da ação no ambiente escolar. “A criança hoje, o que ela vê, ela imita, tem uma facilidade em copiar, e nós somos aquilo que herdamos de exemplos na infância”, disse o parlamentar. “Não achei traje exagerado ontem, mas sim um professor em uma universidade em Pernambuco ter dado aula sem roupa.”

A deputada Gleice Jane (PT) se posicionou contra a forma como o assunto foi tratado. Para ela, a discussão ultrapassou o debate sobre o ambiente escolar e revelou um preconceito estrutural. “Foi dito que havia pornografia, que era um absurdo, que era um ato criminoso. Expuseram as crianças mais de uma vez. Para mim houve uma fala transfóbica e homofóbica que estimula o ódio e a agressão”, afirmou. “Nada demais aconteceu naquela escola, e não tem sentido trazer para dentro das escolas esses discursos de ódio de quem não conhece a realidade das escolas.”

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) se manifestou sobre o caso e afirmou que o uso de fantasias e roupas diferenciadas pode ser adotado como recurso pedagógico, desde que alinhado com as diretrizes da instituição.

O episódio revela mais uma vez a polarização na Assembleia Legislativa, onde temas ligados a identidade de gênero e educação frequentemente são utilizados como palco para embates ideológicos. Enquanto parte dos parlamentares defende um controle maior sobre iniciativas pedagógicas, outros veem nesses debates uma tentativa de reforçar preconceitos. O caso segue repercutindo dentro e fora do plenário.

Fonte: A Crítica

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