Militantes do PSDB iniciaram uma campanha interna para evitar que o partido se funda ou seja incorporado a outra legenda, perdendo assim sua identidade. O movimento começou com filiados na cidade de São Paulo, mas começou a ser replicado em outros locais do país.
O PSDB debate seu futuro em várias frentes e promete tomar uma decisão até abril no máximo. Entre as hipóteses cogitadas estão fundir-se com PSD ou MDB ou ser incorporado por uma delas, o que na prática significaria o fim da legenda, criada em 1988. Outra possibilidade é uma federação com o Podemos.
O partido teve sucessivas derrotas eleitorais nos últimos anos e encolheu em número de prefeitos, deputados e senadores. O manifesto diz que, para reerguer a legenda, é preciso ter bons candidatos nas eleições de 2026 e um bom discurso sobre o desenvolvimento do país. Um dos responsáveis pela campanha é o ex-vereador paulistano Mário Covas Neto, filho de Covas.
Leia o manifesto na íntegra:
Movimento contra fusão ou incorporação do PSDB.
A história do nosso partido político é pouco conhecida, mormente pelos mais jovens, no tocante à bravura revelada pelo desempenho da candidatura Mário Covas na eleição “solteira” para presidente da República de 1989, a primeira eleição direta para presidente após a redemocratização e a primeira eleição do recém-fundado PSDB.
Foi essa façanha, o resultado eleitoral da candidatura Covas, que criou as possibilidades, por obra do PSDB, no governo Itamar Franco, para a candidatura vitoriosa de FHC em 1994, e à reeleição em 1998, lastreadas no Plano Real, que debelou o longo período do processo inflacionário, que prejudicava os brasileiros, especialmente os mais vulneráveis, realização vistosa que empolgou o país.
Nossa história expressa lições fundamentais para decisões de agora, com o movimento destinado a superar a doença, miopia e tacanhez de fusão ou incorporação, para, objetivando o bem comum e o interesse nacional, tornar-se também memorável, como é o das “Diretas Já”.
Precisamos é de bons candidatos a todos os cargos nas eleições de 2026, líderes correligionários que se comprometam a manter-se “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas”; precisamos de bom discurso para corresponder, com credibilidade, à ambição de, ao protagonizar o fundamento econômico que é emprego e renda, erguer a perspectiva do desenvolvimento do país que traga prosperidade a todos, sobretudo aos mais vulneráveis.
Os cenários atuais, político e geopolítico, complexos e desafiadores, estão a requerer inteligência e prestígio que só o PSDB pode significar.
CONCLUSÃO: fusão ou incorporação é o suicídio de nossos ideais e propósitos, perante a nação. Não é para tanto que o PSDB existe após tantas lutas sustentadas por seus fundadores, Montoro, Covas, FHC, Jereissati, Serra, Sérgio Mota e muitos outros líderes, na memória da sociedade, também de todos os estados e municípios do país, cada qual em sua “trincheira”, e não menos importante, por seus filiados valorosos desde sempre, que ainda desfraldam as bandeiras do PSDB.
Vamos, com o que somos e temos, de mãos dadas, sempre!


