Vinícius Marques de Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), desqualificou o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional, que colocou o Brasil na 107ª posição entre 180 países, sua pior colocação na história. Durante entrevista, Carvalho classificou o levantamento como “conversa de boteco” e questionou a metodologia usada pela entidade.
Ao comentar o levantamento, Carvalho indagou sobre os critérios adotados: “De onde eles tiraram isso? Desculpe, mas isso é conversa de boteco.”
O IPC reflete a percepção de especialistas e empresários sobre o funcionamento do setor público, atribuindo uma nota de 0 a 100 aos países. Em 2024, o Brasil recebeu 34 pontos, dois a menos que no ano anterior. Carvalho, no entanto, minimizou a importância do ranking, afirmando que se trata de uma “pesquisa de opinião” que não deve ser usada como parâmetro no combate à corrupção.
Ele também criticou a correlação entre a queda na nota do Brasil e o silêncio de Lula sobre a pauta anticorrupção: “É menor porque o presidente Lula fala pouco disso em discurso, mas de onde eles tiraram isso? Qual a correlação de uma coisa com a outra?”
De acordo com o relatório da Transparência Internacional, o Brasil “mais uma vez” falhou em reverter o desmonte das políticas de combate à corrupção. O diretor da entidade, Bruno Brandão, afirmou que o país está sendo capturado por práticas corruptas: “O que se viu foi o avanço do processo de captura do Estado pela corrupção.”
Entre os fatores que influenciaram o resultado estão a falta de transparência em emendas parlamentares, escândalos como a Operação Overclean, que revelou desvios de R$ 1,4 bilhão em fraudes no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), e a percepção de que o governo atual tem negligenciado a pauta anticorrupção. Desde 2023, o Brasil tem caído consecutivamente no ranking, refletindo a piora da percepção sobre o controle da corrupção no setor público.
Vinícius Marques de Carvalho, que ocupa a CGU desde o início do terceiro mandato de Lula, é ligado ao grupo Prerrogativas, conhecido por criticar a Lava Jato e outras ações de combate à corrupção. Suas declarações reforçam o tom defensivo do governo diante das críticas relacionadas ao tema.
O IPC destaca que, embora a corrupção sempre tenha sido uma questão no Brasil, a deterioração das instituições responsáveis por combatê-la agravou o problema. A falta de respostas contundentes do governo tem sido apontada como um dos principais fatores para o aumento da percepção negativa.


