Candidatos que participaram do Concurso Público para Técnicos Administrativos da UFGD no fim de semana denunciaram possíveis irregularidades durante a aplicação das provas, organizada pela Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Cultura (Fapec).
Entre as queixas, estão a prorrogação do tempo para candidatos atrasados e falhas no registro oficial do ocorrido, levantando dúvidas sobre transparência e isonomia.
De acordo com relatos, a distribuição das provas teria sido interrompida por 30 minutos para permitir a entrada de participantes que chegaram após o horário limite. A justificativa dos fiscais seria um acidente de trânsito na região, que teria prejudicado a chegada de alguns inscritos. A medida, porém, gerou revolta entre candidatos que já estavam no local, que afirmam ter havido quebra das regras do edital.
A candidata que preferiu não se identificar destacou outra preocupação: o registro do fato em ata só foi feito ao final da prova, assinado por três participantes escolhidos aleatoriamente. “Isso pode comprometer a credibilidade do processo”, criticou. Os candidatos que alegaram prejuízo estão procurando o Ministério Público Federal para relatar o caso.
“Foi feio! Nunca vi prorrogar início da prova para esperar os atrasados. Falta de respeito com quem respeitou o edital e chegou no horário. Fora que ficamos lá, de castigo, aguardando a banca explicar o atraso e sem os fiscais saberem o que estava acontecendo. Gente querendo ir ao banheiro e não podia porque tinha que aguardar o início da prova para sair da sala. Gente manuseando, lendo a prova antes dos demais”, protestou outra candidata.
O advogado André Luiz Godoy Lopes, especializado em concursos públicos, confirmou que está analisando os relatos para avaliar medidas legais. Em nota, ele reforçou que a Lei nº 8.112/90 e a Constituição garantem igualdade de condições a todos os candidatos.
“Alterações nas regras do edital exigem justificativas sólidas. Se comprovada a irregularidade, é possível buscar a anulação das provas afetadas ou até do concurso”, explicou Lopes, que já atuou em casos similares em MS.
A reportagem entrou em contato, via telefone, com a Fapec, mas não conseguiu resposta. Em nota, a universidade informou que prorrogou por conta de um acidente de trânsito na via de acesso.


