Dourados, 21 de Abril de 2026

Áudios gravados antes do assassinato de jornalista apontam falha na Deam
Áudios gravados antes do assassinato de jornalista apontam falha na Deam
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Áudios enviados pela jornalista Vanessa Ricarde, assassinada nesta semana em Campo Grande, pelo ex-noivo, Caio Nascimento, indicam falha da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

O áudio aponta erros no atendimento da primeira Casa da Mulher Brasileira do País e pode ser um divisor de águas no atendimento a mulheres que enfrentam violência todos os dias.

Diferentemente do que foi declarado em coletiva no dia seguinte ao assassinato, Vanessa não recusou ser acompanhada no retorno à residência. Pelo contrário, sentiu falta de um acolhimento na delegacia.

No áudio enviado para uma amiga, pouco antes de ser assassinada com facadas no coração, ela contou que esperava voltar para casa acompanhada da polícia, mas não recebeu sequer informações sobre as mais de dez passagens pela polícia do autor, por violência contra mulheres, incluindo até a própria mãe.

“Eu fui falar com a delegada e explicar toda a situação. Ela me tratou bem fria, seca, toda hora me cortava. Eu queria ver o histórico da pessoa e falou para mim que não podia passar”, contou Vanessa, pontuando que a delegada disse que ela já sabia, pois ele mesmo havia contado. Ela pondera que gostaria de saber melhor, pois ele teria alegado que a mulher que o denunciou havia agredido a filha dele.

Vanessa contou para delegada que estava há dois dias sem tomar banho e teria, segundo o áudio, sendo orientada a mandar uma mensagem falando para ele deixar a casa.

A jornalista assassinada pede para amiga ser testemunha do caso e demonstra preocupação com mulheres sem instrução que devem procurar ajuda e serem mal atendidas.

“Eu estou me sentindo culpada, porque eu fui registrar o BO. Eu estou bem impactada com o atendimento da Casa da Mulher Brasileira. Eu, que tenho toda a instrução, escolaridade, fui tratada dessa maneira, imagina uma pessoa, uma mulher vulnerável lá. Essas que vão para a estatística do feminicídio”.

Abaixo, uma matéria produzida pelo SBT, que mostra os áudios enviados pela jornalista antes de ser assassinada. Nos comentários, diversos relatos de mulheres reclamando do atendimento.

A Delegacia Geral do Governo do Estado informou que abriu sindicância.

O Ministério das Mulheres, comandado pela sul-mato-grossense, Cida Gonçalves, divulgou uma nota:

@No papel de monitorar, supervisionar e fiscalizar a efetividade das políticas e serviços destinados a mulheres em situação de violência, o Ministério das Mulheres encaminhou um ofício à Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul solicitando a abertura de procedimento investigativo para apurar o atendimento prestado à jornalista Vanessa Ricarte, vítima de feminicídio na última quarta-feira, e ao Ministério Público a respeito de providências a serem tomadas.

Em áudio veiculado nesta sexta-feira (14), Vanessa descreve ter informado, durante atendimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em Campo Grande, a decisão de retornar até sua casa, onde estava o agressor, Caio Nascimento. O percurso não poderia ter ocorrido sem a escolta da Patrulha Maria da Penha, de acordo com o protocolo de avaliação de risco para mulheres em situação de violência e que orienta o atendimento na Casa da Mulher Brasileira.

A equipe do Ministério das Mulheres viaja a Campo Grande ainda neste final de semana para dialogar com representantes da rede de atendimento. O órgão se solidariza com familiares, amigos e amigas de Vanessa e reafirma o compromisso de atuar pela prevenção e enfrentamento a todos os tipos de violência contra as mulheres, em especial o feminicídio, com investimentos em diversas políticas públicas focadas em informação e em atendimento. Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada.

Fonte: Investiga MS

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